sábado, 17 de outubro de 2009

Leite – Alimento não muito perfeito, como dizem…


Todos nós temos necessidades diárias de macro e micronutrientes e esses valores devem ser respeitados. As doenças ósseas não surgem somente pela falta de cálcio, mas por uma alimentação inadequada e mal balanceada, quantidades de nutrientes insuficientes para a idade e sexo, alimentos que impedem ou diminuem a absorção de cálcio, falta de vitamina D, entre uma série de outras medidas, que podem provocar o enfraquecimento dos ossos.

Como é sabido por muita gente o leite contém cálcio, assim como muitos outros alimentos, se uma pessoa tem por hábito beber leite e depois o retira da sua dieta sem adicionar um substituto, certamente terá uma quantidade diminuída de vitaminas e minerais, presentes no leite que puderam trazer consequências.

O leite sempre foi considerado um alimento saudável e completo para todas as idades. A indústria de lacticínios ajudou a propagar a ideia de que o leite e os seus derivados eram a principal fonte de cálcio, rico em proteínas e vitaminas A, B1 e B2, no entanto, esta industria gasta centenas de milhões de euros para convencer os consumidores, um exemplo disto é o caso de um aditivo de leite que causou cancro em animais de laboratório e a FDA, órgão que controla os medicamentos e os alimentos nos EUA, não revela a pesquisa que prova o facto.

Por exemplo, o leite com baixo teor de gordura não existe. Este termo, é um apelo de marketing usado para enganar o público. O leite com pouca gordura contém de 24 a 33% de gordura como calorias! O valor de 2% presente nos rótulos é também enganoso, já que ele se refere a peso. E o mais interessante é que o leite possui 87% de água, ou seja, o peso está ai!

Muitos especialistas são contra o consumo de leite de vaca e ainda argumentam que este pode ser a causa de várias doenças e alergias, como a otite, dermatite, aumento de gordura abdominal, aumento da formação de muco, gastrite, refluxo, obstipação intestinal, perda de hemoglobina, diabetes infantil, doenças cardíacas, artrite, pedra nos rins, instabilidade emocional, depressão, entre outras.

Assim, para alguns especialistas o leite de vaca não é um alimento adequado para o consumo humano. Após a amamentação, o homem é o único mamífero que continua a consumir leite, e por isso pode desenvolver problemas de saúde como a intolerância à lactose, dificuldade ou possibilidade de digerir o açúcar do leite, que causa diversos problemas gastrointestinais como a flatulência, diarreia, dor e desconforto abdominal, ou seja, os sintomas da intolerância à lactose surgem devido à ausência, no organismo, de enzimas capazes de actuar na digestão do açúcar do leite. A ausência destas enzimas é um processo natural, pois os seres humanos não necessitam de consumir leite durante a vida adulta. Os que insistem em ingerir leite após o desmame, forçam o organismo a continuar a produzir estas enzimas, e por isso se encontra pessoas intolerantes à lactose, sendo que estas têm mais dificuldade em produzir estas enzimas.

Os lacticínios, como o leite, iogurte e queijo fresco, apesar de possuírem um índice glicémico baixo, aumentam muito a libertação de insulina pelo pâncreas, que pode causar resistência à insulina, que está na origem de vários problemas como a síndrome metabólica (inclui diabetes do tipo 2, hipertensão, aumento dos triglicerídeos, diminuição do colesterol das HDL, e obesidade abdominal), alguns tipos de cancro (próstata, mama e cólon), miopia e acne.

Para quem não sabe, o leite contém proteínas em abundância, cerca de 80% dessas proteínas são caseína, a mesma cola usada para montar móveis e para fixar o rótulo nas garrafas de cerveja.

A maior relação dos derivados de leite com as alergias tardias deve-se ao facto do organismo não digerir a beta-lactoglobulina e a caseína. Os principais sintomas para quem desenvolve hipersensibilidade ao leite estão relacionados com o intestino, azia, gastrite, gases e alergias. No entanto, os sintomas não se manifestam logo após o consumo mas pode ocorrer horas ou dias mais tarde. A única forma de detectar se uma pessoa é hipersensível ao leite, têm que ser feitos exames ao sangue ou dietas de exclusão, na qual os alimentos são retirados da alimentação e assim descobre-se quais são os que fazem mal.

Assim, derivados e leite são uma ameaça à saúde, estes não contêm fibras e são líderes em gordura saturada e colesterol, por exemplo:

- Leite integral: 49% das calorias vêm da gordura
- Leite meio-gordo: 35% das calorias vêm da gordura
- Queijo cheddar: 74% das calorias vêm da gordura
- Manteiga: 100% das calorias vêm da gordura

Pode-se concluir com estes dados que o leite e os produtos que usam derivados de leite (caseína, soro, lactose) são uma das causas de problemas de peso e saúde. A doença cardiovascular é uma das doenças que está relacionada com o consumo de produtos lácteos, pois tem elevadas quantidades de gordura saturada e colesterol, aumentando as probabilidades de sofrer de doença coronária.

Outro exemplo, segundo Berkey, “as crianças que não devem ingerir leite de forma a perder peso ou a mantê-lo, isto porque um copo de 225 mililitros de leite normal possui 150 calorias, o leite com 1% de gordura tem 100 calorias e o desnatado tem 85 calorias.”

O que fazer?


Agora muitos perguntam, o que pode substituir o leite, a resposta é simples:
O leite de vaca pode ser substituído pelo leite de cabra ou por leite de soja.
O leite de cabra tem mais propriedades benéficas do que o de vaca. No entanto, o leite de soja é melhor em vários aspectos nutricionais, é mais nutritivo e sem colesterol. Estes contem grandes quantidades de certos aminoácidos incluindo arginina, alanina, ácido aspártico e glicina. A arginina diminui o ritmo de crescimento de cancros pois aumenta a resistência do sistema imunitário. A alanina auxilia o metabolismo dos açúcares, o ácido aspártico actua como antioxidante e a glicina é necessária para o bom funcionamento do cérebro e sistema nervoso e ainda para o metabolismo muscular.

O leite de soja tem ainda a vantagem de conter mais magnésio, cobre, e manganés que o leite de vaca. O magnésio é utilizado pelo organismo para absorver o cálcio, o cobre e o manganês ajudam na formação óssea. O leite de soja contem 12 vezes mais cobre e 42 vezes mais manganês do que o de vaca. O manganés é também essencial para a transmissão neural e para o metabolismo proteico.
É ainda possível ir buscar as fontes de cálcio, necessárias, aos alimentos de origem vegetal, tais como: amêndoas, espargos, brócolos, repolho, aveia, feijões, salsa, gergelim, tofu, hortaliças de folhas verdes escuras como as couves.

Muitos especialistas também afirmam que a alimentação vegetariana oferece todo o cálcio necessário ao ser humano, a partir de alimentos ricos em antioxidantes, fibra, ácido fólico, hidratos de carbono complexos, ferro e outras vitaminas e minerais, que não são encontrados em lacticínios.

Leite Materno é bom?

Todos os profissionais são unânimes em relação ao leite materno. Este é o melhor alimento para um bebé até ao primeiro ano de vida. Além de ser rico em gordura, proteína, hidratos de carbono, minerais, vitaminas, enzimas e imunoglobulinas, este protege contras várias doenças e possui factores de crescimento que aceleram a maturação intestinal, prevenindo alergias e intolerâncias.

Segundo a nutricionista Daniela Jobst, o leite de vaca também possui imunoglobulinas, mas para o bezerro, pois estes factores só funcionam para a mesma espécie, e não de espécie para espécie.

Existe também um estudo, realizado em Cambridge com 926 bebés que foram acompanhados por cinco anos e onde foi demonstrado que quanto maior o tempo de consumo do leite materno, maior o nível de mineralização óssea aos cinco anos. Para as mães que não tem leite materno ou depois do desmame, é indicado um leite de soja hipoalergénico, ou seja, um leite de fácil digestão, porque este não tem as proteínas alergénicas como a caseína e a beta-lactoglubulina.

O leite de vaca pode causar osteoporose e micro calcificações, tal como a má alimentação.

Está comprovado que o leite e os derivados podem causar osteoporose, pois contém um alto nível de proteína que impede a produção de cálcio no organismo, ou seja, quando o nosso organismo começa a receber cálcio em demasia, pode criar micro calcificações, que é uma consequência da má utilização do cálcio.

Os minerais interagem extensivamente, e dosagens elevadas de uns reduzem a absorção e o aproveitamento de outros. Para a formação adequada de massa óssea, para além do cálcio são necessários outros nutrientes, como vitaminas, minerais, aminoácidos e hidratos de carbono. A carência de 1 ou mais nutrientes prejudica a utilização efectiva do cálcio, possibilitando ainda que o mesmo se instale nos tecidos moles, cause endurecimento nas artérias, favoreça o aumento da pressão arterial, entre outros.

O leite de vaca é rico em cálcio, mas pobre nos outros nutrientes necessários à utilização do mesmo, e alguns factores do metabolismo do leite promovem a eliminação do cálcio no organismo.

É importante também pensar que no Japão e na China o consumo de lacticínios e cálcio é muito baixo, e é onde a incidência de fracturas é menor, comparando com a Europa e os EUA, que ingerem mais lacticínios e cálcio.

A prevenção da osteoporose é muito mais abrangente do que simplesmente aumentar a ingestão do leite, ou seja, a osteoporose não é consequência unicamente da falta ou baixa ingestão de cálcio. Esta pode ser originária da pós-menopausa, genética, distúrbios sanguíneos, drogas, deficiências de nutrientes, tabagismos, consumo excessivo de álcool.

Ou seja, existe uma relação entre a boa alimentação e boa saúde. O leite é sem margem de dúvidas, uma excelente fonte de cálcio porém é também uma fonte de proteínas e estas em excesso “desintegram” o cálcio.

No entanto, existem muitas controvérsias sobre o leite, alguns médicos e nutricionistas, comprovam os benefícios do leite, e que este não é causador de doenças, outros dizem o contrário.
Enviar um comentário